Entre protecionismo econômico e cooperação multilateral - O primeiro dia de sessões no ECOSOC
A primeira sessão de debates do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC) evidenciou, inicialmente, um clima de cooperação entre as delegações presentes.
A delegação do Afeganistão deu início aos discursos demonstrando insatisfação com a crise de fome que está ocorrendo no seu país. Em seguida, as delegações do Canadá e da China reconhecem a insegurança alimentar como responsabilidade coletiva e criticam o protecionismo que afeta os países mais vulneráveis.
No entanto, gerando tensão entre as nações presentes no comitê, a delegação dos Estados Unidos apresenta seu discurso inicial afirmando não se responsabilizar pela crise econômica de outros países, argumentando que a mitigação dessas problemáticas é papel individual de cada nação. Como resposta, a delegação do Haiti aponta o protecionismo econômico como privilégio dos países ricos, criticando o imperialismo e o colonialismo ao provocar as demais delegações. Ademais, apesar de sua relevância no debate referente ao protecionismo econômico, a Rússia não expressa sua posição de forma assertiva.
Posteriormente, após a aprovação da agenda por unanimidade, a delegação do Haiti enfatiza o seu repúdio ao discurso dos Estados Unidos da América, afirmando que a delegação estadunidense se mostra indiferente com outras nações na busca por uma solução da problemática abordada no comitê. Durante seu discurso, o delegado do Haiti relembra as invasões ocorridas em seu território em decorrência dos interesses dos EUA, intensificando a discussão. Em contraposição, a delegação da China reitera os tópicos da agenda que acredita beneficiar a todos presentes.
Os Estados Unidos da América é novamente mencionado, desta vez pelo Afeganistão, apontando-o como o principal responsável pela insegurança alimentar nos países do Sul Global em decorrência do seu protecionismo “agressivo”. A delegação do Paquistão também direciona o seu discurso para os EUA, afirmando que o estreito de Ormuz continuará fechado até que o país retire suas tropas do local. Por fim, o Irã reitera a sua insatisfação com o posicionamento norte americano, finalizando a primeira sessão do debate.
Durante o início da segunda sessão, a delegação dos Estados Unidos permaneceu em silêncio, enquanto China, Turquia e Paquistão seguiram em suas propostas de punição para aqueles que violarem as regras do documento. Com a solicitação de um debate não moderado, as delegações presentes voltaram-se aos tópicos da agenda, porém a delegação da África do Sul não demonstrou interesse no momento de discussão.
Posteriormente, a China apresentou propostas de retirada do foco da hegemonia norte-americana, reiterando a importância do protagonismo das nações do Sul Global no debate. Logo em seguida, a delegação dos Estados Unidos finalmente se manifesta, causando polêmica ao afirmar que as propostas em debate ferem a sua soberania. Em resposta, o delegado do Haiti afirma que o posicionamento estadunidense estaria atrapalhando o andamento do comitê. Portanto, após longos debates a respeito da realização do documento de trabalho, as discussões do primeiro dia foram encerradas.
Analistas: Milla Macêdo, Thessy Carvalho e Vitória Rios
Secretária de Comunicação: Maria Rita Almeida



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