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Depois do caos, a cooperação finalmente surge - Último dia no ECOSOC tem documento final aprovado por unanimidade

Foto do escritor: nuriascom
nuriascom
19 de set.
3 min de leitura


O último dia de debates no Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC) marcou um momento de longas discussões sobre elaboração dos documentos de trabalho e questões da agenda.


O início da quarta sessão evidenciou a satisfação de muitas delegações com o avanço da elaboração dos documentos de trabalho, mas também contou com críticas voltadas à não participação de algumas delegações.

Dando início a tais pontuações, o Panamá solicitou pronunciamento das delegações que ainda não haviam se posicionado, afirmando que tal ausência interfere no andamento do comitê, sendo esse posicionamento reiterado pela delegação do Haiti. Por fim, a delegação do Paquistão agradece pela colaboração dos delegados que se fizeram presentes desde as sessões anteriores e demonstrou expectativa com as próximas serem sem intrigas e problemas. 

No entanto, o andamento da sessão evidência ataques direcionados a delegação dos Estados Unidos por parte da Rússia, que aponta a falta de atuação estadunidense sobre a mitigação da fome no mundo. Ademais, a delegação do Haiti, apesar de transparecer satisfação com o andamento da produção do documento, faz críticas à ausência da Rússia e da África do Sul, afirmando ser “uma falta de sensatez, pouca vergonha e cinismo”. É válido ressaltar que, diante da ausência da delegação da África do Sul, é notável a postura ativa do Senegal como única delegação africana no comitê. Por ironia, a delegação norte-americana concordou com a pontuação do Haiti e criticou a fala da Rússia sobre ataques à sua delegação. 

Em contraposição, a delegação do Senegal discorda dos Estados Unidos, afirmando que a Rússia é uma das poucas nações atuantes na região do Sahel, esse comentado pelo Senegal desde a primeira sessão. Ademais, o Afeganistão também reconhece a participação da delegação russa, acreditando não ser necessário uma espécie de “Guerra Fria” com a Rússia e os EUA, dado que esse não é o foco das discussões do comitê.

Durante a apresentação do documento de trabalho as delegações do Irã, Panamá e Haiti retomaram as suas propostas, sendo elas um corredor logístico verde e neutro (FAO), criação de agroindústrias de resiliências (ACNUR) e rede de apoio pelo sistema “troca-troca”, esse mencionado durante as sessões anteriores. Por fim, o documento foi aprovado por todos os presentes, exceto os Estados Unidos da América. 

Diante dos questionamentos sobre o voto contra o documento, a delegação dos EUA argumentou que “ser signatário não significa aceitar imposições para a sua nação”. Em contraposição, a delegação do Haiti se refere a delegação estadunidense como hipócrita, reiterando que está citando fatos e não aceitaria direito de resposta. Ademais, afirma que a França precisa se pronunciar, mesmo que seja com a união das “nações imperialistas”. Em resposta ao Haiti, a delegação dos Estados Unidos argumenta “eu posso ter duas, três opiniões e você não possui direito algum de falar de mim”, afirmando que o Haiti não tem economia e comida para a sua população.   

Já na quinta e última sessão do dia, os delegados solicitaram um debate à grega, seguido de um debate moderado para discussão e finalização do último documento de trabalho do comitê. A delegada da Rússia menciona a importância de sua atuação junto ao BRICS e sinaliza a necessidade das nações presentes não manterem dependência dos Estados Unidos em propostas do comitê. Em seguida, Afeganistão e Turquia reiteram fala sobre a participação das delegações presentes na elaboração e discussão do documento final de trabalho.

Apesar do susto quando metade de um dos tópicos do documento ter sido apagada sem comunicação prévia, o comitê dirigiu-se ao fim apresentando caráter cooperativo com objetivo de evitar uma falha geral. O documento final foi aprovado por unanimidade e o comitê encerrado, mas não antes dos repórteres conseguirem vestígios de uso de Inteligência Artificial por parte da delegação da Indonésia.

Durante a coletiva de imprensa do último dia, a delegada da Rússia, após ser questionada sobre sua postura no comitê, afirma não ser válido a comparação do Haiti sobre seu país com os Estados Unidos, mas seu argumento é visto como contraditório pela assessoria de comunicação que aponta a diferença entre suas falas diplomáticas e ações militares. Após também ser questionada sobre a comparação realizada, a delegação dos EUA considera injusto o delegado do Haiti se “sentir superior”, alegando uma tentativa dos países de derrubar a economia norte-americana ao sugerir uma substituição do dólar nas negociações realizadas.


Analistas: Thessy Carvalho e Vitória Rios

Secretária de Comunicação: Maria Rita Almeida

 
 
 

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