top of page

Deu pra ouvir daí? Explosão e gritaria no 3º dia de CSNU

Foto do escritor: nuriascom
nuriascom
19 de set.
5 min de leitura


Expulsões, ânimos alterados, delegados jogados ao chão… O terceiro dia do comitê do Conselho de Segurança das Nações Unidas apresentou todo o ânimo não visto nos dias anteriores.


Tudo começou com um pedido de debate à grega negado pela mesa, seguido por um discurso acalorado de desaprovação do Irã quanto ao alinhamento do Brasil aos Estados Unidos. Enquanto isso, o Reino Unido reforçou a necessidade de não confiar em certas delegações. A delegação norueguesa fez coro aos discursos do Irã e Reino Unido, alegando necessidade de cuidado com as intenções imperialistas dos EUA. Em um discurso intempestivo, os EUA elevaram o tom do debate ao dispararem: “onde já se viu um país onde o ministro é julgado e é o próprio juiz?". Em seguida, disse que a delegação brasileira era “sem noção”, acusando o presidente brasileiro de corrupção. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aprovou a solicitação da delegada do CSNU para aplicar sanções e atacar tropas chinesas, russas e britânicas no território groenlandês. Com isso, a disputa no território ártico tornou-se física pela primeira vez. Em decorrência disso, em conversa exclusiva com o Le Monde, a Groenlândia pediu divulgação de uma rebelião contra os Estados Unidos.

Para além da conversa com nossa redação, tivemos acesso a uma reunião fechada entre delegações onde a delegação groenlandesa, já conhecida por seus projetos megalomaníacos, afirmou categoricamente que deveria haver uma reunião para bombardear os Estados Unidos, perguntando aos seus companheiros quem se mobilizaria para iniciar o ataque. De volta ao debate, Rússia, Dinamarca e Reino Unido se juntaram para criticar os EUA, apontando crimes contra países. O Reino Unido acusa os Estados Unidos de nazismo devido à proposta da delegação americana para instauração de um “4º Reich”.

Após tomar o assento, a delegação da Dinamarca levantou sua placa numa tentativa de se integrar ao debate novamente, mas sua atitude foi rechaçada pela mesa, que relembrou da necessidade das delegações serem reconhecidas antes de tomarem a palavra. Os ânimos do comitê estavam exaltados: havia gritaria por parte da delegação do Reino Unido e, acreditem se puderem, uma moção dinamarquesa para remoção dos Estados Unidos do comitê por falta de decoro. Momentos depois, Japão e Coreia do Sul saíram em defesa de seu aliado americano, alegando a importância histórica dos Estados Unidos. Devido à rebelião groenlandesa contra os EUA, o primeiro-ministro da Groenlândia, em fuga de seu cativeiro, adentrou a sala gritando ter sido vítima de um atentado, sendo posteriormente assassinado dentro do comitê. A delegação da Dinamarca, em um ato extremo, se atirou ao chão junto ao corpo do primeiro-ministro groenlandês, ato que causou sentimentos de comoção e vergonha alheia. O corpo do primeiro ministro foi retirado de forma melodramática da sala, aos gritos de delegados desesperados com a situação (ou talvez apenas utilizando suas habilidades de atuação).

Para completar o cenário dramático, a delegação da China levantou-se e disparou: “é vergonhoso que a mesa esteja proferindo discursos pró-Estados Unidos”, uma clara acusação de imparcialidade. Como resultado, a delegação foi expulsa do comitê por 5 minutos. Em uma postura estranhamente calma em relação aos acontecimentos dos últimos 30 minutos, a Rússia alertou o envio do documento e convidou todos a participarem da coalizão anti-EUA. O chá de camomila russo fez efeito no comitê, que seguiu com discursos um pouco menos exasperados, ao menos durante os 5 minutos seguintes. Voltando à agenda caótica, Noruega, Finlândia, Dinamarca, Islândia e Suécia se juntaram contra as tropas americanas, brasileiras, sul-coreanas e japonesas. O Reino Unido disse que o comitê estava, na verdade, sendo uma forma de indução à guerra.

Seguindo para o debate não moderado, a delegação da Groenlândia propôs emenda de remoção dos EUA como membro permanente para que este não mais possuísse poder de veto no comitê. Em entrevista exclusiva ao jornal Le Monde, durante o momento do debate não-moderado, a delegação chinesa afirmou ter sido expulsa por conta de sua sinceridade: “A mesa está favorável aos EUA, uma vez que não conseguimos aprovar nenhum documento por conta do veto deles. Fui expulso do comitê porque disse verdades.". Quando questionada acerca do poder de veto estadunidense, afirmou que a delegação norte-americana é o principal impedimento para o avanço do comitê. Os Estados Unidos levantaram-se e expuseram a maior fragilidade da proposta de remoção de sua delegação do conselho, afirmando em seu discurso que os EUA são o maior financiador da ONU e expondo a debilidade da economia de todos os países mediante sua eventual retirada. Apesar disso, após a votação sobre sua remoção temporária pelo período de 10 minutos, a delegação norte-americana foi convidada a se retirar.

Aproveitando a ausência norte-americana, foi aprovado um novo debate não moderado, onde a Groenlândia abordava a necessidade de posicionamento. Um plot-twist marcante foi a volta dos Estados Unidos ao comitê antes que os delegados que causaram sua expulsão conseguissem chegar a um consenso. Literalmente aos berros, a delegação estadunidense entrou na sala de forma intempestiva denunciando a censura das demais delegações. Como resposta, a delegação da Dinamarca simplesmente cogitou que seria de bom tom questionar a imparcialidade da mesa através da alegação de que a China havia sido expulsa por motivos menores, enquanto os Estados Unidos não receberam punição por sua reentrada polêmica na sala do comitê. Por conta disso, a mesa afirmou que não mais toleraria questionamentos à sua autoridade, já que, se tivesse retirado todos os delegados que não apresentaram decoro no comitê, este ficaria praticamente vazio.

O clima estava tenso: a mesa parecia exausta com a atitude indecorosa de grande parte dos delegados, enquanto as delegações pareciam não entender que o comitê estava prestes a falhar. Uma prova disso é o fato da Groenlândia ter dito que a China deveria “relaxar” após ter demonstrado preocupação quanto à votação do documento final. Depois do discurso incisivo da mesa, o silêncio quase sepulcral tomou conta da sessão. A Coreia do Sul tomou a palavra e chamou atenção dos delegados quanto às suas próprias representações, já que muitos estavam formando alianças completamente contraditórias aos seus posicionamentos diplomáticos, como por exemplo a delegação colombiana.

Em um ato completamente imprevisto, a delegação do Iraque invadiu o comitê acompanhado de duas delegadas do Irã. Em um discurso exaltado, fizeram uma série de acusações aos Estados Unidos e ameaçaram: "se as medidas cabíveis não forem aceitas, vamos ter que repetir o 11/09". O terceiro dia do comitê foi, com certeza, o mais improvável: Depois de todo o alvoroço, os ânimos se acalmaram e o documento passou para votação. Após uma decisão tópico por tópico, na qual somente EUA, Brasil, Coreia do Sul e Japão demonstraram resistência a certos pontos, o documento final foi aprovado. Assim, o último dia do comitê do Conselho de Segurança das Nações Unidas foi recheado de reviravoltas mostrando que, mesmo após a inércia congelante, o comitê ainda tinha capacidade de pegar fogo.


Analistas: Samantha Barbosa, Lorena Gama, Mariana Campos e Nicole Almeida

Secretária de Comunicação: Maria Rita Almeida

 
 
 

Posts recentes

Ver tudo

Comentários


TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AO NURI ©‎
bottom of page