Entre a agenda e a crise - O segundo dia do ECOSOC
O Segundo dia de debates no Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC), em contradição com o primeiro dia, iniciou tomado pela insatisfação diante da falha da crise na Assembleia Geral.
A delegação do Afeganistão assume as discussões ao afirmar que o resultado foi uma escolha dos Estados Unidos da América, demonstrando total repúdio ao veto dos EUA e reiterando a importância do exercício da diplomacia, ainda que diante dos empecilhos causados pela delegação: “não deixemos os Estados Unidos acabar com a diplomacia desse comitê”.
Seguindo com a série de culpabilização voltada para os EUA, a delegação da Turquia afirma que o país permitiu que o Protocolo Cassandra ocorresse. Ademais, juntamente a lamentação do Panamá sobre o destino final da crise, a delegação do Afeganistão afirma que a delegada dos EUA deve ser julgada no Tribunal Penal Internacional (TPI), reiterando que as delegações não podem ser omissas aos acontecimentos durante a crise. Encerrando o momento inicial de acusações, a delegação do Irã afirma que todos foram “feitos de marionete" pela delegada estadunidense e que o país acusado não passa de uma farsa.
No que tange a apresentação do documento de trabalho, abordada pelas delegações do Haiti, China e Turquia, sua aprovação contou com 11 votos. No entanto, a delegação russa se mostrou contrária. Voltando à discussão do tema do ECOSOC, a delegação chinesa afirma que a ajuda humanitária não pode se tornar uma dependência, assim como os alimentos não devem ser utilizados como armas, propondo a criação de corredores verdes logísticos neutros. Logo em seguida, o Paquistão retorna a pauta da crise, a definindo como "vexame". A delegada continua os ataques aos EUA e apela pelo seu pronunciamento.
Os delegados se perderam um pouco nas pautas da agenda e não pararam de falar da crise ocorrida anteriormente, não sabendo separar os objetivos dos diferentes eventos. A delegação do Senegal reitera a necessidade de posicionamento da França no que tange a crise. Em resposta, a delegação francesa afirmou que o Senegal não se preocupou, inicialmente, com as consequências dos ataques no seu país, insistindo em uma resposta francesa sobre o ocorrido. Por fim, como forma de realocar os delegados à prioridade do comitê, a Turquia enfatiza que a crise já havia falhado e que era imprescindível que o foco atual fosse nos documentos de trabalho, conforme a agenda.
Após um momento de discussão e questionamentos sobre a posição dos EUA na crise humanitária, a agenda volta a ser a questão principal do debate. A delegação de Senegal convida Rússia, Noruega, França e Estados Unidos a investirem em tecnologia para gestão de estoque, conexão entre centros urbanos e apoio a regiões afetadas por conflitos multidimensionais. Adiante, a China evidencia a importância das ações e estratégias em negociação no comitê não estarem apenas voltadas para o presente momento, mas também à longo prazo.
Além disso, os EUA finalmente se pronunciaram com relação aos discursos iniciais, reafirmando a sua preocupação com a insegurança alimentar, utilizando como principal argumento os financiamentos dados a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura). Após o discurso dos EUA, a delegação russa questiona à delegada sobre a sua opinião acerca do segundo tópico da agenda, esse que aborda sobre insegurança alimentar. No entanto, mostrando-se contraditório à sua declaração anterior, a delegação estadunidense se manteve em silêncio perante o questionamento.
Assim, ao final da sessão, pode-se perceber a ausência das declarações do México diante das problemáticas abordadas e da presença da África do Sul que, durante o debate não moderado, estava dedicando toda a sua atenção às publicações do instagram.
Por fim, durante a coletiva de imprensa o delegado do Haiti retoma sua fala do primeiro dia em formato de crítica às Nações Unidas e aos Estados Unidos, enfatizando que as missões realizadas ao longo dos anos contribuíram para o cenário atual do país. Em resposta, a delegada dos EUA argumenta que as inúmeras denúncias direcionadas a sua nação, por parte do Haiti, não fazem sentido, mas a tréplica haitiana enfatiza o papel das imposições do Norte Global como empecilho ao desenvolvimento e segurança alimentar dos países do Sul global.



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