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MPB E A CENSURA DURANTE A DITADURA MILITAR NO BRASIL

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  • 6 de mai.
  • 4 min de leitura

Por Daniela Mendes e Mirela Fonseca




A MPB, intitulada comumente como música popular brasileira, nasceu no Rio de Janeiro na década de 1960, em um momento no qual estilos musicais da época como bossa nova e samba estavam em declínio. O seu surgimento derivou de uma mistura do jazz norte americano, tal qual havia chegado no Brasil, e um leque de originalidade que a colocou em uma posição de vislumbre. Sendo composta por alguns fenômenos que marcaram seu estilo como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa, a sua chegada caiu diretamente em um dos momentos mais contraditórios e sombrios do Brasil: a Ditadura militar.

Em 1964, um regime ditatorial instaurou-se por todo país, deslegitimando os direitos dos cidadãos e aniquilando a democracia existente. A música popular brasileira também pode ser considerada um movimento político e social que ultrapassa as barreiras de uma época onde era inviável se rebelar. Esse estilo musical foi e continua sendo revolucionário, a sua inserção na história criou uma espécie de afeição e notoriedade ao lado artístico dentro de um período obscuro de opressão e crise interna. As músicas serviram como uma espécie de denúncia informal e relativa, sendo carregada por figuras de linguagens, os artistas que fizeram parte desse movimento traziam em suas letras situações reais dos assassinatos e perseguições, assim como incentivos para que a população fosse às ruas lutar e não deixassem seus direitos serem extintos.

O cantor Geraldo Vandré, talvez um dos poetas que possui uma das músicas mais melancólicas que marcaram esse período, cita em sua canção Para Não Dizer Que Não Falei Das Flores “Vem, vamos embora/ Que esperar não é saber/ Quem sabe faz a hora/ Não espera acontecer” como uma amostra disso. Em uma época na qual o Estado era dominado pelo comando militar, a liberdade de expressão e a de ir e vir, posteriormente categorizadas na Constituição, deixou de existir.

No lado artístico, a partir de 1968 e com a implementação dos atos inconstitucionais como o AI-5, a polícia federal começou a censurar e perseguir aqueles que citassem tudo que fosse oposto ao regime. Aqueles que fossem descobertos, eram levados ao prédio do exército, o DOI-CODI, com a justificativa de serem questionados sobre suas ações, muitos dos que foram não voltaram de lá. A confirmação de que o país esteve sob uma censura total pode ser encontrada nos arquivos nacionais mas também está presente na letra das músicas populares que marcaram o período da ditadura.

Ao relacionar esse período histórico com o Construtivismo nas Relações Internacionais, é possível perceber como a MPB desempenhou um papel importante na construção e transformação de identidades, valores e percepções coletivas dentro da sociedade brasileira. Diferente das teorias tradicionais, como o Realismo ou o Liberalismo, o Construtivismo entende que a política, nacional ou internacional, não é movida apenas por forças materiais, mas também por elementos simbólicos, culturais e discursivos. Assim, ideias, narrativas e práticas sociais moldam a forma como os atores entendem o mundo e como agem nele.

No contexto da ditadura militar, o Estado buscava construir uma identidade nacional centrada na obediência, na ordem e na ideia de ameaça comunista, justificando, assim, o autoritarismo. Contudo, a MPB se tornou uma força contra-hegemônica que desestabilizava essa narrativa oficial. Por meio de metáforas, símbolos culturais e críticas indiretas, as músicas produziam significados alternativos que disputavam o imaginário social. Do ponto de vista construtivista, os artistas não eram apenas indivíduos criativos, mas agentes políticos que influenciavam o modo como a sociedade interpretava a realidade, moldando percepções de resistência, liberdade e injustiça.

Nesse sentido, a censura pode ser compreendida como uma tentativa do regime de controlar não apenas comportamentos, mas sentidos sociais, uma estratégia típica de regimes que reconhecem o poder das ideias na formação de identidades coletivas. A repressão às composições da MPB demonstra que o governo temia a capacidade transformadora das narrativas culturais: elas ajudavam a criar uma comunidade de significado baseada na contestação e no desejo de mudança, algo que o Construtivismo identifica como fundamental para alterar a estrutura social e política.

Assim, a MPB não apenas registrou esse período histórico, mas contribuiu para reconfigurar o entendimento da população sobre o próprio regime, influenciando tanto a resistência interna quanto a forma como o Brasil era visto no exterior. Através da lente construtivista, é possível afirmar que a música atuou como um instrumento de redefinição identitária, questionando a legitimidade do governo, fortalecendo discursos oposicionistas e produzindo novos sentidos de cidadania e democracia que seriam essenciais para o processo de redemocratização nas décadas seguintes.













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