O SPECPOL em pé de guerra no último dia de AMUN 2026
A Turquia propõe a criação de um comitê técnico de integração territorial e defende o congelamento das plataformas de exploração.
A delegação também se posiciona incansavelmente contra a retirada das SBA’s, alegando que a medida seria inconstitucional e violaria a soberania. Porém, a Grécia argumenta contra essa posição e afirma que é necessária a retirada dessas áreas o mais rápido possível.
Enquanto isso, a República Turca do Chipre do Norte vem sendo tratada no documento de trabalho como um ente soberano, o que levantou uma dúvida da mesa: isso foi feito de propósito e representa um recuo em relação ao posicionamento anterior, ou seria falta de atenção por parte dos delegados? Surpreendentemente, o Brasil, conhecido por sua imparcialidade diplomática, reafirmou que mesmo sendo neutro não reconhece o Chipre do Norte como país soberano. Do outro lado, a Turquia reconheceu o Chipre do Norte como país soberano, em uma moção tour the table.
A delegação cipriota do Norte por sua vez não se mantém calada, muito pelo contrário. Ao perceber que, após o aviso à mesa, muitas delegações voltaram atrás, o delegado turcocipriota afirma que caso não seja reconhecido como país eles também não reconheceram nem outro país no comitê. O delegado aproveitou ainda que Israel não é um país, cuja resposta da delegação foi que a mera presença da República do Chipre do Norte era um escárnio e uma vergonha para o comitê.
Devido a falta de consenso e avanços na solução das pautas a mesa alterou o estilo de debate diversas versões, desde a grega até o não moderado, porém parece que essas tentativas têm sido em vão visto que os debates giram em torno das mesmas questões sem progresso para resolução. É interessante notar que o maior obstáculo não parece ser a discordância com os tópicos, mas sim uma disputa de egos e que decidirá quem é o protagonista do comitê.
A rivalidade que mais se destaca é entre China e Turquia. A China afirma que devem ser ouvidos os cipriotas para um documento inclusivo e válido. A Turquia rebate. De acordo com o delegado turco, o Chipre já aceitou os termos do documento e que tal fato somente não foi considerado pela delegação chinesa por motivos egoístas e ególatras.
Observa-se uma mudança clara na dinâmica do comitê: delegações como as da Síria, Itália, Espanha, Coreia do Sul, Venezuela, Líbano, Egito e Alemanha, mesmo optando pelo silêncio nos microfones, intensificaram sua atuação. Em contraste com os dias iniciais, esses países estão promovendo negociações paralelas e alianças estratégicas, provando que a diplomacia muitas vezes ocorre fora dos holofotes.
Depois de três dias de discussões intermináveis, foram enviados dois documentos para votação. Um pautado pela China e outro pela Turquia, Chipre e Grécia. Após uma votação acirrada, o documento aprovado foi o documento da Turquia. Muito obrigado, senhoras e senhores. Espero vê-los na próxima edição!
Analistas: Maria Júlia Souza e Luísa Vasconcelos
Secretária de Comunicação: Maria Rita Almeida


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