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Teve tudo... menos um acordo - O segundo dia caótico no SPECPOL

Foto do escritor: nuriascom
nuriascom
18 de set.
2 min de leitura


Toda a expectativa criada pela sessão anterior foi por água abaixo hoje.

 

A começar pela ausência de uma peça decisiva e que havia cativado a atenção de todos na sala: a delegação do Reino Unido. Infelizmente, o país não compareceu, deixando um vazio que nenhuma outra nação conseguiu preencher. A sessão foi iniciada com o discurso da delegação da Turquia. Como sempre muito incisivos, os delegados lamentaram a falta de união entre os presentes e questionaram sobre a viabilidade da unificação do Chipre. Nesse momento, pareceu que Turquia e China concordavam, ao menos, na necessidade gritante de cooperação diplomática.

Na contramão do que estava sendo pautado, os Estados Unidos da América focaram nos embargos econômicos aplicados à ilha e aproveitaram a oportunidade para alfinetar a comunidade, afirmando que a mesma "não possui reconhecimento global", ignorando o tema da unificação. Pela primeira vez, foi possível ouvir a voz dos delegados da Espanha, que, prezando pela cooperação e união, encerraram seu breve discurso. Em seguida, a República Turca de Chipre do Norte pontuou fortemente a exclusão do seu próprio país das decisões e criticou veementemente a fala dos EUA sobre sua falta de reconhecimento global. Logo após, a delegação foi refutada pela Grécia, que reafirmou a participação do norte-cipriota nas negociações e abordou a necessidade de retirada das bases britânicas.

Com a aprovação de uma moção para debate não moderado, ficou evidente a total falta de decoro das delegações durante uma tentativa falha de produzir um documento de acordo entre as nações. O embate acalorado entre China e Turquia continuou a roubar a cena, com ambas disputando o patrocínio do texto. A Turquia alegou ter escrito metade do documento, o qual teria sido desconsiderado pelos chineses; em contrapartida, a China acusou os turcos de serem um obstáculo à redação. O ápice do caos ocorreu quando um delegado (que não será revelado) apagou a lista de patrocínios. Devido a esse retrocesso, a lista deixou de existir.

O debate foi interrompido faltando 1 minuto e 15 segundos para o fim. Devido à total falta de decoro e à extrema improdutividade da sessão de hoje, não haverá debate moderado até amanhã. Ficou decidido que os impactos da crise não prevalecerão neste comitê, a fim de facilitar a resolução dos três tópicos da agenda. Mais uma vez, a mesa exigiu objetividade.

Mesmo em meio ao caos instaurado, o silêncio de algumas nações foi ensurdecedor. Alemanha, Coreia do Sul, Itália, Egito, Venezuela, Espanha, Líbano e Síria permaneceram totalmente à margem das discussões, tornando-se meros espectadores do próprio comitê.

Após a terrível falha do debate não moderado, instaurou-se um debate à grega. A China voltou a discursar, apontando a falta de sentido de uma possível intervenção militar, uma vez que o problema central é de cunho econômico. Na sequência, a Turquia discursou — incisiva como sempre, porém pouco resolutiva.

De modo geral, pode-se afirmar que a segunda sessão do comitê foi uma grande confusão, sem apresentar resoluções ou evoluções significativas. É impossível não comparar a diferença de clima entre o primeiro e o segundo dia. Como dois lados de uma mesma moeda, essa drástica mudança deixa no ar uma grande dúvida sobre o que esperar do terceiro e último dia.


Analistas: Maria Júlia Souza, Luísa Vasconcelos e Nayra França

Secretária de Comunicação: Maria Rita Almeida

 
 
 

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